" Um quadro tem uma liberdade que a fotografia não tem: posso fixar-me naquilo de que mais gosto em ti, no teu corpo e posso, acima de tudo, rever infinititamente a maneira como te hoje te vejo e quando olho para ti.
- Mas porquê nu?
- Porque nu, és indefeso, és meu. A nudez é uma foma de generosidade: quando me despi para ti pela primeira vez, no moinho da àgua, ofereci-te o meu corpo, que é a coisa mais íntima que tenho. Sabes que há pessoas , casais, marido e mulher que vivem uma vida inteira juntos, têm relações, fazem filhos, envelhecem fisicamente ao lado um do outro, e nunca se viram nus?
Ele abanou a cabeça, sem querer entender."
Angelina Dória e Pedro Ribera Flores.
Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores
Gostei particularmente deste excerto do livro que estou a ler, como que entendesse finalmente a importância da nudez e da entrega do corpo, o nosso bem mais precioso, o nosso ser. A nudez e a entrega física como o apogeu máximo da cumplicidade e do amor. Um desejo profundo de guardar eternamente a imagem do amor tal e qual como o conhecemos, amado e desfrutado.
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